27 abril 2009

26 abril 2009

O herói de Leningrado

Casmurro sobrinho é velho. Beeeem velho. Idoso mesmo. É um observador vivo da história da humanidade. Presenciou o cerco de Leningrado. Viu a tomada de Vladivostok. Ajudou na queda dos Czares, da Bastilha e da Bolsa de Nova York (tanto em 1929 como em 2008). Viu o homem ir à lua e as mulheres à luta (uma pouca-vergonha, segundo ele). Somando-se a isso, o bandido tem uma memória de elefante bêbado - lembra de tudo, só que às vezes os fatos estão um tanto quanto embaralhados. E, quando se lembra, dita suas memórias para Olaf, seu fiel mordomo e animal inclassificável segundo Darwin. Olaf escreve tudo errado (é uma besta, mesmo!) troca fatos, nomes e números, de tal sorte que o texto resultante é algo entre Irmãos Karamazov e Poliana Moça, com pitadas tanto de Tolstói como de Paulo Coelho. Desse modo, nesta série de Memórias Pré-Póstumas de Casmurro, que se inicia com este post, serão colocados aqui trechos desta biografia que promete abalar as estruturas do Kremlin, Casa Branca e Morro da Mangueira. Não haverá ordem cronológica ou alfabética - aliás, não haverá ordem alguma. Se quiserem seguir, é por vossa conta e risco. Está dado o aviso.

Fazia algo de frio (uns 40 graus abaixo de zero, se bem me lembro) e éramos poucos. No máximo uns vinte, guardávamos a cidade do exército alemão, que se aproximara velozmente e agora nos isolara por completo.


Num determinado momento, acabou a comida. Mesmo os deliciosos ratinhos que caçávamos felizes se esgotaram. A situação piorava. Dois dias depois, acabaram as mulheres. A tensão aumentava, podia-se cortar o ar com uma faca de plástico, dessas distribuídas em vôos hoje em dia, uma bela duma porcaria – tente destrinchar um bife para você ver só. Mas isso não vem ao caso - não tergiversemos. No terceiro dia, tudo ficou insuportável. Acabou a vodka. O caos se instalou em nossas fileiras. Os homens começaram a ficar sóbrios, e a se dar conta de que todos iríamos morrer. Era necessária uma atitude urgente. Acima de tudo, era necessário um herói. Mas heróis são bem raros nos Urais. Eles habitam Gothan City, Metrópolis e cidades do tipo. Nunca vi um em Kurk, Smolemsk, Ulianovsky ou Novgbrod. Mesmo em Moscou acho que eram raros - meu primo uma vez me disse ter visto o Aquaman no rio Volga, perto de Volgograd - tenho quase certeza de que estava gozando com minha cara. Mas, novamente, não tergiversemos. Era preciso criar um herói ali mesmo, em Leningrado. Alguém com coragem para romper o cerco, ultrapassar as linhas alemãs, correr para a fazenda mais próxima, colher o trigo, a cevada, o milho, misturá-los ao Ovomaltine (o grande segredo desta receita caseira, anote aí) e destilar a mais pura bebida deste mundo, o néctar das deusas (muito melhor que o dos deuses, diga-se de passagem). Previsivelmente, ninguém queria a incumbência. "Estou com a unha encravada", disse Romarov; "Tenho hora no dentista", ponderou Kaskharov; “Marquei para hoje a revisão de 20000 km do meu Lada”, retrucou Yalovchenco. Covardes! Olhei bem para suas caras nojentas, e falei o mais alto que pude: “Seus cães vagabundos medrosos! Não honram a mãe Rússia! Não honram vossas botas, as calças que vestem! Pois saibam que eu honro - eu vou!" Talvez tenha sido a adrenalina que percorreu o meu corpo, mas o fato é que, no segundo seguinte, eu já estava sóbrio, e tremendamente arrependido por ter dito tamanha bobagem. Mas não podia mais voltar atrás. Arrumei todos os meus trastes, peguei meu velho fuzil e me dirigi ao ponto mais vulnerável da linha de cerco.



Só pedia que tudo fosse rápido - uns vinte tiros ao mesmo tempo, para pelo menos eu morrer logo. Quando me preparava para correr em direção ao inimigo, um vulto chamou meu nome. Surpreso, vi sair das sombras a doce Svetlana, que tantos bons serviços ao exército em geral (e a mim em particular) havia prestado. Ela então falou: “Venha, Casmurro, vamos para o abrigo”, ao que eu retruquei: “Mas que raio de abrigo é esse ?” “Ora, o abrigo subterrâneo para onde foram todos, para esperar que o inverno acabe com o exército alemão. Tentamos avisar você e seus amigos, mas são umas bestas bêbadas, não nos ouviram, então deixamos para lá”. Caminhamos uns 5 minutos até a entrada secreta, com iluminação discreta (e de muito bom gosto, diga-se de passagem - tergiversamos novamente - isso também não vem ao caso).



Lá dentro, havia música.




Lá dentro, havia também mulheres e danças.


Entretanto, lá dentro havia ainda um grande problema: o abrigo era um antigo depósito da Vodkaliovsk, a fábrica estatal de Vodka da cidade, no qual eles guardavam somente as melhores safras, para envelhecer. E estava abarrotado de barris, os quais ocupavam espaço que poderia salvar muito mais gente – precisavam ser consumidos urgentemente.



Só posso lhes assegurar que, embora não me recorde bem dos detalhes, nos meses seguintes eu pessoalmente garanti vaga para milhares de pessoas e me tornei, merecidamente, um herói.


Não balança muito não, que a terra tá girando forte aqui em cima!

25 abril 2009

O gigante Golias



Tinha o Carlos Bronco Dinossauro, da família trapo. Tinha o velhinho Bartolomeu Guimarães, que ouvia tudo errado. Tinha a Isolda, o Profeta ("Uaaaalááááá"), personagens menores. Mas tinha sobretudo o Pacífico. Boné branco, onipresente camisa vermelha, bastava uma careta para desarmar qualquer cara séria. Transgressor, improvisava a ponto de deixar os que contracenavam com ele em situação embaraçosa - difícil não rir em cena frente a tão perfeito palhaço. Texto limpo, sem apelações - aquele humor ingênuo que contagia crianças de 5 ou 8o anos. Ronald Golias fez rir tantas gerações a ponto de imaginarmos que era perpétuo. Pensando bem, é.


Ô Cride, fala prá mãe que a gente sente uma falta danada dele.

Perdidos no espaço

No site Uolesporte de hoje: "Não se assuste, mas Rubens Barrichello vai mesmo para o espaço. Dentro de um foguete, como turista espacial. E pagou US$ 200 mil pela passagem. Neste sábado, Richard Branson, o multimilionário dono da Virgin, patrocinadora da Brawn GP, anunciou que o piloto brasileiro e o tricampeão mundial Niki Lauda tinham aderido ao seu programa de turismo espacial. Lauda, pelo mesmo preço de Rubinho, ainda poderá pilotar a nave espacial."
A pergunta que não quer calar : por que será que é Lauda que vai poder pilotar a nave, e não Rubinho ?

Ah, deixa, vai, eu não corro muito com o foguete não...

23 abril 2009

Homem de fé

A igreja proíbe o uso de camisinhas, irmãos !




Falou, tá falado, Sua Santidade !

Voltamos

Aviso aos navegantes: depois de um longo e tenebroso inverno (metade trabalho, metade cansaço, metade falta de tempo, metade calabresa), estamos de volta ao mesmo bat-canal. Como diria um grande poeta e manco dos Urais: Eu voltei/agora prá ficar/ porque aqui/ aqui é o meu lugar. E, afinal de contas, além de mim, quem vai querer esta porcaria ?


As duas ou três almas piedosas que acompanham estas páginas mal-traçadas, preparem-se: só vai piorar.

01 abril 2009

Em boca fechada não entra mosquito

Em 2007, a Fifa proibiu jogos de futebol em cidades acima de 2500 metros de altitude. A Bolívia, que tem La Paz localizada a 3600 metros acima do nível do mar, encabeçou um movimento contra a proibição, que teve apoio de todos os países sul-americanos, com exceção do Brasil. Foi inclusive organizado um jogo de protesto na cidade, que contou com a presença do presidente-índio Evo Morales e de quem mais? Sim, Diego Armando Maradona, que inclusive discursou, amigo de todas as horas que é de Evo, Fidel, Chaves e congêneres. O vídeo abaixo não me deixa mentir.




Meses depois, provavelmente de saco cheio desses malas, a Fifa revogou a proibição.
O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus nem existe mais.
Hoje, eliminatórias da copa, em La Paz: Bolívia 6 x 1 Argentina.

Vámonos, Diego, já acabou, hombre!

Espere um poquito que estoy procurando mi dignidad - estava por aqui agora mismo...

PS: como vocês perceberam, Casmurro Sobrinho habla un portunhol de la peor calidad.

Quem tem orifício anal tem medo

Medo

Muito medo


Pânico geral e irrestrito